domingo, 12 de fevereiro de 2012

Resenha Ilustrada: "Viagem ao Centro da Terra" - Júlio Verne


Título Original: “Le Voyage au Centre de La Terre”
Autor: Júlio Verne

Ano de Publicação: 1864/ Edição de 2011
ISBN: 978-85-7232-497-7

Editora: Martin Claret
Sinopse: Após decifrarem um código oculto em misteriosas inscrições rúnicas, o professor Lidenbrock e seu sobrinho Axel embarcam numa jornada que homem algum ousaria trilhar. Em meio a sua descida rumo ao centro da Terra, os dois aventureiros enfrentam a fúria de rios subterrâneos, deparam-se com insetos e cogumelos gigantes e com estranhos fenônemos físicos, além de encontrarem resquícios de um mundo pré-histórico e desconhecido que sobreviveu ao tempo.
Viagem ao Centro da Terra, publicada originalmente em 1864, é uma das principais obras de Júlio Verne, precursor da ficção científica. Ao longo da narrativa, fantasia e ciência coexistem e confundem-se, conforme o autor transita livremente entre elas.
Mais do que uma história de aventura, Viagem ao Centro da Terra é o registro da postura própria de Verne em relação à ficção, em que o exercício da imaginação e do fazer artístico não é avesso à curiosidade científica.


* Resenha Ilustrada é um formato de análise do livro em que figuras aleatórias coerentes com o enredo ilustram - não oficialmente - a resenha. As imagens não são spoilers significativos da obra. Além disso, adaptações ou qualquer outra coisa referente ao livro também é incluído. Essa é uma ideia - não tão original - para as resenhas. Claro que nem todos os livros resenhados vão seguir esse formato.

Encontrar novos horizontes literários é o meu lema este ano. Posso dizer que Viagem ao Centro da Terra é o primeiro livro do gênero da ficção científica propriamente dita que eu leio. E eu não posso ter começado de forma mais satisfatória. Não só o título, que remota a uma completa divagação do real com o imaginário, mas também quem lê até o final essa magnífica obra do francês Júlio Verne, mergulha de cabeça numa jornada incrível da primeira à última página.

Os personagens se apresentam ao decorrer da narrativa, porém o professor Lidenbrock logo nos primeiros capítulos deixa claro a sua personalidade – ranzinza, impaciente, insensível e explosivo – assim como seu sobrinho Axel, um jovem tranquilo e cético, que de primeiro momento se opôs totalmente a embarcar naquela viagem perigosa, guiados apenas por uma pista em runas de um sábio islandês e um fiel guia, Hans, este sendo o que mais me deixou intrigada pelo temperamento quieto, reservado e fiel aos companheiros. No entanto, é perceptível a evolução do relacionamento de tio e sobrinho no decorrer da narrativa, criando laços de carinho e respeito entre ambos, algo que se não fosse por aquela viagem, seria impossível. A máscara inicial do professor de mineralogia cai, mostrando apenas que era um homem sonhador que precisava de tato, assim como Axel que acaba por entender a obsessão do mestre. Essa mudança nos personagens, mesmo que muito sutilmente, é maravilhosa para uma leitora – eu mesma – que aprova sem contestar o trabalho dos personagens feito pelo escritor, mostrando que o ser humano não é feito de uma faceta apenas, mas várias. Porém, Hans continua o mesmo até fim, mostrando lealdade aos amigos sendo ele, que quase não fala o personagem que mais gostei.

Verne, através de Axel quem conta a história, descreve de forma minuciosa, cheia de detalhes todos os pormenores da viagem, com muitos termos científicos também, o que dificultou a leitura em algumas passagens, porém não é nada alarmante ou um bicho de sete cabeças, sendo possível dar prosseguimento a narrativa sem problemas. Mas tem o lado bom disso, porque o leitor acaba aprendendo o que é um barômetro, por exemplo, e o que ele faz (Barômetro é um instrumento que mede a pressão atmosférica), entre outras coisas interessantíssimas sobre a época de formação da Terra e o período pré-histórico. Ainda sim, alguns capítulos são arrastados, no entanto como mencionei logo no início, quando o clímax da história é atingido é impossível largar o livro, e não foram poucas vezes que eu fiquei de olhos arregalados devido ao que era revelado.

Cena do filme Viagem ao Centro da Terra (2008)

O autor tem uma capacidade invejável de confundir realidade através dos fatos científicos com a ficção, dando uma convicção e até vontade de se enfiar num vulcão inativo para comprovar tudo o que foi narrado, sem contar que ele usa muito da verossimilhança, dando a entender que tudo aquilo contado aconteceu de verdade. Não é à toa que Júlio Verne é o pai da ficção científica.

A única coisa que me incomodou dessa edição é que em dados momentos os parágrafos de narração se confundiam com as falas, que me confundiu um pouco, mas nada que uma revisão não resolva.

Viagem ao Centro da Terra faz parte da coletânea das Voyages (Viagens) que inclui além do citado, Da Terra à Lua de 1865, Vinte Mil Léguas Submarinas de 1870 e A Ilha Misteriosa de 1874.

Está mais do que óbvio que eu recomendo este livro para você que é curioso e adora uma boa aventura. Verne entrou para a lista dos meus escritores favoritos.

O livro ganhou:

5/5


Filme


Título original: (Journey to the Center of the Earth)
Ano: 2008 (EUA)
Direção: Eric Brevig

Roteiro: Michael Weiss, Jennifer Flackett e Mark Levin
Elenco: Brendan Fraser, Josh Hutcherson, Anita Briem, Seth Meyers.

Duração: 92 min

Gênero: Aventura

Classificação: Livre

Status: Arquivado

Sinopse: Trevor Anderson (Brendan Fraser) é um cientista cujas teorias não são bem aceitas pela comunidade científica. Decidido a descobrir o que aconteceu com seu irmão Max (Jean Michel Paré), que simplesmente desapareceu, ele parte para a Islândia juntamente com seu sobrinho Sean (Josh Hutcherson) e a guia Hannah (Anita Briem). Entretanto em meio à expedição eles ficam presos em uma caverna e, na tentativa de deixar o local, alcançam o centro da Terra. Lá eles encontram um exótico e desconhecido mundo perdido.
Fonte: Adoro Cinema

Confesso que eu assisti o filme primeiro antes de ler o livro - eu sabia que tinha o livro, estava atrás dele há tempos - mas como o filme estava aqui em casa, acabei assistindo. Apesar de eu ter achado que o longa poderia ter sido maior e com efeitos melhores, foi uma boa diversão, tirando também os clichês óbvios que na hora não me incomodou, mas agora que eu li o livro me incomodam. Seria preferível se o filme se passasse na mesma época da obra de Verne, mesmo assim a releitura para os dias de hoje não deixou de ser interessante, além de terem colocado momentos que não tinham no livro. 

A Ilha Misteriosa, outra obra de Júlio Verne também vai ganhar uma adaptação para os cinemas.

Classificação: 



Trailers 





4 comentários:

  1. O filme ainda não assisti, mas sou fã dos livros do Julio Verne! São obras incríveis, e realmente dá vontade de entrar em um vulcão e comprovar se é verdade o que o autor escreveu! rsrsrs
    Abração!!
    Paty Algayerhttp://www.magicaliteraria.com

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  2. Gisela Menicucci Bortoloso16/02/2012 21:55:00

    Já vi o filme (gostei muito, já o segundo que acabou de sai, achei mio fraquinho) mais ainda não li nenhum livro de Verne (uma vergonha), mas agora vou tentar tratar de consertar esta situação.
    um abraço
    Gisela - Ler para Divertir

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  3. rsrrs, é o primeiro livro de Verne que também eu leio ;)

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  4. Alef Dalle Piagge24/02/2012 10:53:00

    gostei do blog, estou seguindo,
    Aguardo sua visita lá no meu... http://adpiagge.blogspot.com/

    Alef - Floreios e Borrões.

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